ESTADO DE MATO GROSSO
SECRETARIA DO ESTADO DE EDUCAÇÃO
ESCOLA ESTADUAL SEVERIANO NEVES
PROJETO

São Félix do Araguaia – MT
Maio/2011
1.0 Introdução
Desde os anos 70 a expressão da sexualidade tomou outros rumos na sociedade, impulsionada pela massificação dos meios midiáticos, movimentos feministas, movimentos dos jovens dos anos 60, praticas de controle de natalidade e mais recentemente o movimento de grupos homossexuais.
No Brasil já foram notificados cerca de 360 mil casos de AIDS (Portal Nacional da Aids, 2005), e o portal Globo.com noticiou em 2006 que cerca de 1,1 milhão de adolescentes engravidam por ano no Brasil e que esse número continua crescendo. Outro dado relevante é que 25% dos partos feitos no país, segundo o Ministério da Saúde, são em meninas entre 10 e 20 anos (Globo.com).
A escola publica hoje recebe uma gama variada de discentes, com suas mais variadas culturas, praticas valores etc. Oriental sexualmente uma criança/adolescente, frente a este cenário configura uma prática de extrema delicadeza uma vez que como expressam os Parâmetros Curriculares Nacionais (pg. 291):
“Na prática, toda família realiza a educação sexual de suas crianças e jovens, mesmo aquelas que nunca falam abertamente sobre isso. O comportamento dos pais entre si, na relação com os filhos, no tipo de “cuidados” recomendados, nas expressões, gestos e proibições que estabelecem, são carregados dos valores associados à sexualidade que a criança e o adolescente apreendem. O fato de a família ter valores conservadores, liberais ou progressistas, professar alguma crença religiosa ou não, e a forma como o faz, determina em grande parte a educação das crianças e jovens. Pode-se afirmar que é no espaço privado, portanto, que a criança recebe com maior intensidade as noções a partir das quais vai construindo e expressando a sua sexualidade. Se as palavras, comportamentos e ações dos pais configuram o primeiro e mais importante modelo da educação sexual das crianças, muitos outros agentes sociais e milhares de estímulos farão parte desse processo. Todas as pessoas com quem convivem — outras crianças, jovens e adultos — ao expressarem sua sexualidade ensinam coisas, transmitem conceitos e idéias, tabus, preconceitos e estereótipos que vão se incorporando à educação sexual. (Grifo nosso)
Não é raro, por exemplo, ao entrar no banheiro de uma escola, encontrar frases com apelo sexual, desenhos de órgão genitais, bem como de pessoas mantendo os mais variados tipos de relações sexuais etc. O entendimento de que tais manifestações por parte dos alunos configura-se como uma expressão de sua sexualidade é imprescindível para que a escola possa tomar previdências que orientem os seus alunos e não simplesmente tomem medidas que tentem impedir que o aluno expresse sua sexualidade fora do contexto escolar.
O adolescente passa boa parte de seu tempo no espaço escolar, e é nele também onde se firmam as amizades, se formam os “guetos” , e a partir daí eles compartilham entre si as informações que possuem acerca de questões sexuais e conforme PCN de Orientação Sexual cabe a escola desenvolver ação critica, reflexiva e educativa acerca das questões que são expressas pelos alunos no espaço escolar, trabalhando não apenas os corriqueiros conteúdos das Ciências Naturais sobre aparelhos genitais e embriologia que normalmente dão noções de fisiologia e morfologia do corpo humano, sem envolver a dimensão da sexualidade.
A expressão “Orientação Sexual” expressas nos documentos de orientação pedagógicas, trás consigo um entendimento muito mais aberto das questões sexuais, pois implica em troca de informações dentro do ambiente escolar, que possibilitem um bem estar aos envolvidos no sentido de debater assuntos polêmicos de forma aberta, pluralista e democrática, procurando sempre desmistificar valores, “quebrar tabus”, e perceber a questão sexual como inerente a vida humana e que por isso deve ser discutida e dialogada com a mesma naturalidade que as demais questões que permeiam as relações humanas.
É sabido ainda que alguns pais acreditam que não se deve falar sobre sexo no espaço escolar, pois isso poderia antecipar o inicio da vida sexual, entretanto ao se implementar ações de orientação sexual na escola, os apoio dos pais e responsáveis é imprescindível para o bom andamento dos trabalhos, uma vez neste assunto educar não significa passar opiniões nem valores para os alunos, mas sim discutir a realidade para que cada um possa escolher o caminho a seguir de forma consciente (Martins 2008).
A proposta de trabalho que se seguirá nesse projeto configurará como uma ação de legitimar o espaço escolar como espaço de discussão de aspectos relevantes ao bom convívio em sociedade, bem como de orientação de práticas que preservam a saúde física e mental.
2.0 JUSTIFICATIVA
Diante das freqüentes piadinhas, bilhetinhos, comentários maliciosos, atitudes e apelidos maldosos, dos casos de carícias nos espaço escolar, e eventuais “namoros” observados no corpo discente da Escola Severiano Neves, diante ainda da obrigação da escola em canalizar essa energia e criatividade dos alunos, para produzir conhecimento a respeito de si mesmo do outro e da coletividade, bem como da questão legal que insere a Orientação Sexual como tema transversal, ou seja, que deve estar embutido em todos as disciplinas escolares, optou-se por implementar um projeto que criasse um espaço onde os anseios dos jovens pudessem ser discutidos e orientados de forma aberta democrática e pluralista.
3.0 OBJETIVOS
3.1 Gerais
3.1.1 Promover no espaço escolar um ambiente onde os anseios e dúvidas inerentes a sexualidade possam ser discutidos de forma aberta, sem preconceito ou vulgaridade, propiciando a formação de um cidadão critico, reflexivo, que adote práticas de proteção a saúde individual e coletiva.
3.1.2 Desenvolver a idéia de que as questões acerca de sexo, sexualidade etc são questões inseparáveis da vida e das relações humana, e que como tal devem ser discutidas e dialogadas com naturalidade.
3.2 Específicos
3.2.1 Envolver professores e pais no trabalho de orientação sexual dos estudantes
3.2.2 Desenvolver nos alunos o respeito pelo seu corpo e do seu companheiro.
3.2.3 Refletir sobre as diferenças de gêneros e relacionamentos.
3.2.4 Informar sobre gravidez precoce, doenças sexualmente transmissíveis.
3.2.5 Incentivar o diálogo com os pais.
3.2.6 Conscientizar sobre a importância de uma vida sexual responsável.
3.2.7 Promover o respeito as diferenças, combatendo práticas que configurem preconceito.
3.2.8 Esclarecer sobre métodos contraceptivos.
3.2.9 Compreender o funcionamento do próprio corpo.
3.2.10 Sensibilizar mudanças nos comportamentos socialmente indecorosos, canalizando essa modalidade de expressão sexual para atitudes socialmente aceitáveis.
4.0 METODOLOGIA
O trabalho será desenvolvido inicialmente com as turmas do 8º Ano C e 9º ano B. Os professores Rafael Viana Luz e Eliza Pereira serão articulares do processo de discussão. O nome do projeto “Terça da Sexualidade”, justifica-se pelo fato de que serão realizados durante o período escolar das respectivas turmas (matutino) dois encontros por mês que ocorrerão sempre na 1º e 3º terça-feira de cada mês.
Os encontros serão realizados mais no formato dialogado do que no formato palestrado, procurando se discutir temas que sejam sugeridos pelos próprios alunos.
Inicialmente será colocado no pátio da escola uma caixa para que os alunos possam depositar nelas quais são suas duvidas, e quais temas desejariam que fossem dialogados no projeto. A partir daí pretende-se no primeiro encontro a exposição da proposta de trabalho e a discussão de um dos temas que mais foram apontados pelos próprios alunos. Por isso o roteiro de cada encontro será elaborado a medida que os temas forem sendo propostos.
Pretende-se buscar o apoio da secretária de saúde do município no intuíto de obter materiais, vídeos, e também um possível envolvimento dos alunos do projeto com eventuais trabalhos que estejam sendo executados pela secretaria.
Utilizaremos também vídeos, bem como panfletos e próteses durante os encontros, para facilitar a compreensão de determinados assuntos bem como para favorecer a expressão dos alunos durante a discussão.
Em alguns momentos dos encontros pretende-se separar o grupo por gênero para poder propiciar inicialmente um espaço onde os alunos se sintam mais a vontade para expor suas duvidas, anseios etc. Contudo, é importante ressaltar que pretende-se que os alunos mais a frente possam sentir-se a vontade para expor sua opiniões e valores mesmo estando agrupados com gêneros opostos.
Ao final do mês de Junho desejamos encerrar o projeto com as turmas citadas acima, e iniciá-lo com outras turmas, de modo que as primeiras turmas possam tornar-se multiplicadoras dos conhecimentos adquiridos durante a execução do projeto.
5.0 Referencias Bibliográficas
Portal Nacional da Aids. Disponivel em http://aids.objectis.net/indice-de-aids-no-brasil-e-no-mundo/aids-em-numeros/. Acessado em 03 de Maio de 2001.
Globo.com. Disponível em http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,AA1372177-5598-948,00.html. Acessado em 03 de Maio de 2011.
Martins, Ana Rita. O assunto é sexo. E é serio. Nova Escola. São Paulo.p. 38-46. Agosto,2008.
Parâmetros Curriculares Nacionais – Orientação Sexual. MEC.
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